Porque Procrastinamos e Como Lidar com o Problema

Procrastinação

Procrastinação é a arte de deixar para depois o que precisa ser feito agora, o conhecido “empurrar com a barriga”, enfim “enrolar”. A palavra procrastinação vem do latim procastinatus, que é a junção do pro(encaminhar) e crastinus (amanhã), mas seu sentido já aparecia no Antigo Egito, em Roma e na Grécia

De acordo com o dicionário Oxford, a palavra já existe do léxico desde 1548 – ou seja é algo milenar e não um produto do mundo moderno, da tecnologia e da internet. Também não é um problema tipicamente brasileiro – conhecido como o país do jeitinho e da última hora – pois outros países têm o mesmo perfil, até porque é um problema intrínseco á humanidade,

A verdade é que todo mundo procrastina, pelo menos uma vez na vida. É da natureza humana, já que ninguém é robô, programado para fazer tudo na hora certa. O problema é quando isso começa a ficar crônico e passamos a postergar indefinidamente coisas que não poderiam ser adiadas, como os cuidados com a saúde, nossos relacionamento, nossos sonhos e objetivos mais importantes.

Em pesquisa publicada em seu livro “Equilíbrio e Resultado”, .Christian Barbosa, um dos mais conhecidos especialistas em gestão do tempo e produtividade do país, constatou que as coisas que as pessoas mais adiam são: exercício físico (67%), leituras(63%), saúde (52%) e planejamento financeiro(46%), ou seja, justamente as coisas que mais produzem equilíbrio e resultados.

Postergar tarefas não é o pior dos mundos, nem devemos nos martirizar por isso. O problema é quando isso se torna constante, o que acaba deixando as pessoas infelizes, improdutivas, e com a sensação de que estão  perdendo alguma coisa, o que reduz a autoestima e gera insegurança.

Por que procrastinamos

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Segundo Barbosa, a pesquisa foi de extrema valia para ajudar a entender os principais fatores que contribuem para a procrastinação, entre os quais alinhamos os mais comuns:

1 – Falta de tempo

Indiscutivelmente, a campeã das desculpas, refletida na velha frase: “não deu tempo” ou “eu não tenho tempo”. A verdade, porém, é que o tempo é um recurso finito, mas também o mais democrático, pois  todos nós: eu, você, o Papa, o Presidente do EUA, temos as mesmas 24 horas por dia. O problema, portanto, não é a falta de tempo, mas a sua utilização inadequada, com coisas desnecessárias, sem importância, e que não nos ajudam a sair do lugar.

2 – Falta de energia

Muitas pessoas saem do trabalho, enfrentam um trânsito caótico, e ao chegar em casa já estão tão consumidos pela rotina estafante que simplesmente não têm mais disposição física para ler um livro, conversar com a família, praticar um esporte ou fazer um curso. Querem apenas tomar um banho, jantar e dormir  – e recomeçar tudo no dia seguinte.

A energia pessoal é gerada por diversos fatores que incluem alimentação saudável,, saúde, qualidade do sono, qualidade dos relacionamentos, espiritualidade, entre outras coisas. É, enfim, um conjunto de fatores físicos, mentais, emocionais e espirituais que, juntos, constituem uma fonte de energia que, se negligenciados, acabam se constituindo num dreno por onde escoa toda a vitalidade.

Sem energia, olhamos para as nossas tarefas e, mesmo sabendo o que deve ser feito, não conseguimos reunir a força de vontade e a disposição necessárias para fazê-las acontecer.

3 – Medos

Todos nós temos medo de alguma coisa – impossível não tê-los. O problema é quando o medo deixa de ser um propulsor de uma necessidade de planejamento e de preparação, e se transforma num instrumento paralisador.

O medo tem três caminhos possíveis na procrastinação:

  • o medo do fracasso: quando as pessoas deixam de fazer determinada atividade por medo de falhar, de serem julgadas, de não dar certo. O risco de terem algum tipo de prejuízo não lhes permite avançar, o medo simplesmente bloqueia a execução;
  • medo do desconhecido: o medo daquilo que ainda não sabemos, das possibilidades que nunca vivemos, como o de uma pessoa que não consegue falar inglês fluente, com medo de ser transferida para uma filial da empresa em outro país, cujo estilo de vida desconhece;
  • medo do sucesso: embora sutil e até pareça um contra senso, é um dos mais poderosos e constitui um fator subjetivo de procrastinação. Quando a pessoa vê que a atividade realizada deu certo, ela fica com medo do que esse sucesso pode acarretar, de uma promoção para um cargo de maior responsabilidade, de mudança no estilo de vida – enfim da saída da zona de conforto.

Como combater a procrastinação

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Existem muitos livros, vídeos, blogs, artigos, etc, com técnicas e dicas para combater a procrastinação. Duas delas me parecem as mais importantes e representam uma unanimidade entre todos que abordam o assunto:

1 – Dividir o projeto ou tarefa em pedaços menores e executáveis

Ao nos depararmos com um projeto de maior duração e complexidade, experimentamos um sentimento de sobrecarga e opressão, que nos leva a postergar a sua implementação. Ocorre, porém, que como destaca David Allen em seu best-seller “Fazendo as Coisas Acontecer” (Getting Things Done, em sua versão original em Inglês), não nos engajamos em projetos, mas nas tarefas dele decorrentes.

Assim, ao identificarmos o resultado que pretendemos alcançar com o projeto ou tarefa, devemos definir claramente a sua primeira ação, e dividi-la  em tantos pedaços pequenos quantos forem necessários, de modo que não seja possível deixar de realiza-la, o que elimina o maior estresse – o de começar.

O momentum gerado pela realização da primeira tarefa nos leva, num efeito bumerangue, a querer realizar a próxima e as próximas, levando à conclusão da atividades num prazo m ais curto do que inicialmente imaginamos. É a aplicação da máxima: “como devorar um elefante? Um pedacinho de cada vez”

2 – Descobrir os objetivos, resultados e consequências da tarefa que estamos procrastinando

Quando não temos ideia do verdadeiro objetivo daquilo que vamos fazer, quando não temos noção da importância da atividade que vamos realizar, e  de que forma ela nos trará resultados ou consequências se não for feita, perdemos a relevância e, consequentemente o interesse na sua execução.

Imagine, por exemplo, que você precisa fazer um relatório importante  para seu chefe e que isso pode lhe representar um aumento salarial ou uma promoção, o que lhe permitirá dar maior conforto a sua família. Ou seja: você não está produzindo um simples relatório, está garantindo o seu sustento, a manutenção de seu emprego, e o desenvolvimento de sua carreira profissional.

Brian Tracy, conhecido palestrante internacional, e autor de best-sellers como “Eat That Frog“, costuma dizer que tudo começa com um forte WHY. Quando identificamos o nosso “por que”, ou o verdadeiro propósito de alguma coisa, o What (o que) e o When (quando) tornam-se meras consequências.

Enfim, todos nós procrastinamos.Mas o que não podemos permitir é que essa prática se incorpore ao nosso dia-a-dia e nos coloque indefinidamente na zona de conforto e no piloto automático, impedindo-nos de alcançar os nossos sonhos, metas e objetivos mais importantes.

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