Coaching com PNL: Como Usar o SCORE

Decisões

 

Em uma situação ideal, onde você se senta com um cliente para uma sessão estruturada de Coaching previamente marcada, é possível seguir um roteiro predefinido, em um espaço tranquilo e sem interrupções. Mas em alguns momentos, é preciso ter uma conversa em um momento corrido, em um lugar movimentado, ou até mesmo por telefone, onde a pessoa pede a sua ajuda para um problema inesperado.

Nessas situações é útil ter em seu repertório de ferramentas de Coaching modelos rápidos de fácil aplicação, aos quais você pode recorrer sem precisar de anotações. Um deles é o modelo SCORE, que pode ser usado tanto em conversas mais simples quanto em situações que requeiram mais profundidade, enquanto explora o problema numa sessão mais longa.

A abordagem original do SCORE na resolução de problemas começa quando se define o estado atual ou o estado do problema e, a partir daí, fixa-se um objetivo ou resultado como o estado desejado. O Coach e o cliente passam a trabalhar nas etapas subsequentes para diminuir a distância, ou o gap, entre a situação atual e o estado desejado.

Robert Dilts e Todd Epstein desenvolveram o modelo SCORE em 1987, quando perceberam que sistematicamente abordavam problemas de uma forma diferente da de seus alunos. As diferenças principais do SCORE em relação aos métodos tradicionais de Programação Neurolinguística – PNL para solução de problemas incluem:

  • lidar com o problema quebrando-os em partes menores e indo até as raizes das causas mais profundas;
  • distinguir entre o sintoma de um problema (características) e suas causas  ou circunstâncias que os criaram;
  • distinguir entre os resultados que o cliente deseja e as consequências de atingir objetivos de longa duração;
  • separar técnicas (ferramentas de PNL) de recursos mais profundos, tais como extrair lições de diferentes experiências pessoais ou mobilizar uma gama de habilidades que transformem os problemas em objetivos atingidos.

O Modelo SCORE

O modelo SCORE oferece uma estrutura simples para mudar o pensamento de problemas para a soluções e trata de cinco elementos centrais em qualquer situação;

  • Sintomas são os aspectos de um problema que são conscientemente observáveis:
  • Causas são as questões menos óbvias que desencadeiam o problema;
  • Objetivos são os novos estados, comportamentos ou metas que assumem o lugar dos sintomas;
  • Recursos são os elementos que podem resolver os problemas ao lidar com os sintomas e que podem ajudar na obtenção dos resultados desejados;
  • Efeitos são os resultados de longo prazo dos resultados atingidos

1 – Sintomas

Os sintomas sãos os aspectos visíveis, tangíveis de um problema, quando acontece quando se vai a um médico e procura ajuda porque apresenta sintomas preocupantes ou dolorosos que podem indicar um problema. O mesmo ocorre quando um cliente de Coaching  com sintomas de variados graus de severidade, que podem ser físicos ou psicológicos.

Isso pode ocorrer mesmo quando as pessoas  estão fisicamente saudáveis e, ainda assim, tenham a impressão de que algo não vai bem e alguma mudança é necessária para atingirem o resultado ou estado desejado, sintomas que podem se materializar na forma de confusão, preocupação ou na falta de concentração.

Algumas perguntas podem ajudar na exploração dos sintomas:

  • O que está acontecendo com você no momento?
  • O que está experimentando?
  • Qual parece ser o problema?
  • O que está se interpondo no caminho para evitar que você atinja o que quer?
  • O que o impede de ser da forma que você quer?

Lembre-se de que a pessoa já vem convivendo com esses sintomas já há algum tempo. Então, não gaste uma quantidade desproporcional de tempo na exploração dos sintomas – cinco a dez minutos devem ser suficientes.

2 – Causas

Imagine que você estabeleceu para si mesmo a tarefa de cortar os ramos secos e supérfluos de um jardim,mas se limita a escumar as cabeças dos dentes-de-leão com uma enxada. Não é de surpreender que rapidamente as ervas daninhas voltem a aparecer. Tanto em jardinagem como em Coaching você deve ir a raiz dos problemas se quiser atingir resultados duradouros.

Assim, permita-se explorar um problema até o ponto em que se mostre confiante de que está chegando na raiz da dificuldade, ciente de que as causas muitas vezes estão relacionadas com um sistema maior em que o cliente está inserido. Um indicador dessa situação é quando o cliente diz que o problema atual está relacionado com alguma coisa maior com a qual  vem lutando já há algum tempo.

É o caso, por exemplo, de um gerente que se mostra preocupado com uma negociação que se avizinha porque sempre achou difícil solicitar o que quer por receio de parecer agressivo. Muitas vezes o problema apresentado, ou a situação que o cliente inicialmente acredita ser o problema, não constitui o problema real.

Algumas perguntas para explorar as causas de um problema:

  • Quando esse problema começou?
  • O que parece desencadeá-lo?
  • O que mais está acontecendo com você que pode estar causando a dificuldade?
  • O que o está impedindo de se livrar desse problema

3 – Objetivos

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O objetivo é o estado desejado, o lugar onde se quer chegar. Um resultado pode ser muitas coisas – conseguir um novo emprego, ter um relacionamento conjugal mais harmonioso, saldar dívidas do cartão de crédito, desenvolver uma nova habilidade, concluir um projeto, ou adquirir ou descobrir um senso de propósito e missão de vida.

Sem um objetivo claro, não há o que fazer numa sessão de Coaching, já que você, como Coach, não tem nenhuma compreensão real do problema  que precisa ser resolvido ou da situação que possa ser mudada para melhor.Aplica-se, no caso, a celebre frase da Lewis Carrol no livro “Alice no País das Maravilhas“, acima citada.

Esteja atento para o fato de que, não raro, os clientes esperam que você defina os objetivos dele, o que pode levar á insatisfação pela formulação de objetivos inapropriadamente definidos, como acontece, por exemplo, quando um gerente traça metas para os funcionários sem obter um comprometimento real por parte deles. A motivação para atingir o objetivo desejado tem sempre que vir do cliente.

Algumas perguntas para explorar os resultados desejados incluem:

  • Qual o seu objetivo, especificamente?
  • O que você realmente quer?
  • O que você mais quer?
  • Se pudesse conseguir o que quer, o que seria?

4 – Recursos

Problemas podem precisar de diversos recursos para serem solucionados, que podem incluir uma mudança de crenças, a aquisição ou desenvolvimento de alguma habilidade técnica ou a ajuda de uma outra pessoa. Para encontrar os recursos certos é preciso que se compreenda a raiz causadora de um problema

Algumas perguntas para identificar os recursos necessários

  • Que recursos – habilidades, crenças fortalecedoras, ferramentas ou técnicas – você possui que o ajudarão a conseguir o que quer?
  • Quem mais você conhece que poderia ajudar?
  • Você já se defrontou com uma situação similar anteriormente? O que fez naquela ocasião?
  • Você conhece outras pessoas que estiveram em situação parecida que poderiam aconselha-lo ou ajudá-lo?
  • Imagine-se daqui a alguns meses olhando para essa situação resolvida com sucesso.Que conselhos teria para você mesmo atualmente?

5 – Efeitos

Um resultado é normalmente um trampolim para uma consequência a que a PNL algumas vezes se refere como meta/resultado ou, ás vezes, como “um objetivo para além do objetivo”. Por exemplo, seu objetivo imediato pode ser reformar um quarto sobressalente em sua casa, ainda que a consequência possa ser que agora você dispõe de um espaço para receber sua família e amigos em casa com maior conforto.

Olhar para além de um resultado, para o efeito atingido, pode tanto aumentar a motivação para alcançar seus objetivos  como fazê-lo perceber que as metas nas quais vem trabalhando precisam ser reavaliadas.

Algumas perguntas para explorar efeitos:

  • O que esse objetivo fará por você?
  • Qual será a consequência final quando atingir esse objetivo?
  • Qual é o objetivo para além do objetivo imediato?
  • Depois que fizer ou alcançar isso, o que vai acontecer em seguida?

Trabalhar com uma estrutura simples como a do SCORE possibilita quebrar um problema em partes menores e, então, identificar e lidar com aqueles aspectos que terão maior impacto e, pela sua aplicabilidade e simplicidade, pode ser utilizada em situações ou desafios futuros.

 

 

 

 

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