A Economia e seu Dinheiro em 2018

Economia em 2018

 

Na imensa maioria dos países, quanto maior o retorno potencial de uma aplicação, maior o seu risco. No Brasil, contudo, acontecia justamente o contrário. Até 2016, os investimentos mais conservadores, com fundos DI, estavam entre os mais rentáveis, sendo possível ganhar 15%, 20%, 25% ao ano sem grandes sustos.

Em outubro, porém, quando o Banco Central iniciou uma sequencia de cortes de juros, essa fase começou a chegar ao fim. Em dezembro de 2017, as taxas chegaram a 7%, o menor nível desde o Plano Real. Se a mudança é ótima para a economia – o que tem se verificado com a queda consistente da inflação – ela complicou a vida do investidor, fazendo cair o retorno das aplicações mais conservadores.

Agora, quem quiser obter rendimentos maiores terá que partir para opções mais arriscadas. O problema é que as incertezas sobre a economia são grandes, assim como o risco de perder dinheiro se algo der errado no país, que entrará em 2018 num ano decisivo, em decorrências das eleições presidenciais, cujo resultado determinará se haverá novas medidas de ajuste fiscal e compromisso com uma agenda de reformas ou se as prioridades serão diferentes, dependendo de quem vier a ser eleito.

O que esperar para 2018

Economia Banco Central

 

Em sua edição especial de fim de ano, a revista Exame traça os cenários previstos por 11 consultorias econômicas, bancos e corretoras, cujas premissas estão descritas a seguir:

Cenário Otimista (10% de chance de ocorrer)

  • a reforma da Previdência é aprovada em 2018, o que faz crescer a chance de vitória de um candidato comprometido com o ajuste fiscal e com as reformas;
  • o ambiente internacional continua favorável, com aumento gradual das taxas de juros nos Estados Unidos e crescimento da China

Cenário Básico (60% de chances de ocorrer)

  • a reforma da Previdência não consegue aprovação em 2018, mas os candidatos á frentes nas pesquisas se mostram comprometidos com ela e com o ajuste fiscal;
  • o ambiente internacional continua favorável mantida a expectativa do cenário otimista;

Cenário Pessimista (30% de chance de ocorrer)

  • os candidatos que despontam nas pesquisas rejeitam o ajuste fiscal e as reformas;
  • o crescimento americano provoca inflação e os juros nos Estados Unidos sobem mais do que o esperado, prejudicando o fluxo de recursos para os países emergentes;
  • nesse cenário, o Brasil poderia voltar á recessão em 2019.

Onde aplicar o dinheiro (em % do patrimônio)

Veja as sugestões de oito assessorias financeiras  consultadas pela Exame para os diferentes perfis de investidores; conservador (aqueles que preferem abrir da rentabilidade a sofrer com as oscilações do mercado financeiro); moderado (os que estão dispostos a arriscar um pouco para conseguir um retorno maior), e os de perfil agressivo, que estão dispostos a enfrentar os altos e baixos do mercado

Perfil Conservador

  • 40% em Fundos DI e títulos públicos e provados atrelados ao CDI (CDBs por exemplo)
  • 30% em fundos e títulos de renda fixa;
  • 13% em fundos multimercados;
  • 12% em títulos públicos atrelados á inflação;
  •  4% em fundos imobiliários:e
  •  1% em ações e fundos de ações,

Perfil Moderado

  • 23% em fundos DI;
  • 24% em fundos e títulos de renda fixa;
  • 26% em fundos multimercados;
  • 13% em títulos públicos atrelados á inflação
  • 6%em fundos imobiliários;
  • 8% em ações e fundos de ações

Perfil Agressivo

  • 7% em fundos DI e títulos públicos;
  • 13% em títulos públicos atrelados á inflação;
  • 13% em fundos e títulos de renda fixa;
  • 31% em fundos multimercados;
  •  8% em fundos imobiliários;
  • 28% em ações e fundos de ações

Características e cenários das principais aplicações

 

Economia Investimentos

Fundos DI e títulos atrelados ao CDI

Com a queda dos juros é ainda mais necessário buscar fundos DI com baixas taxas de administração (inferiores a 0,5% ao ano, de preferencias), Os títulos públicos atrelados á taxa Selic (taxa básica de juros) são outra opção. Em relação aos CDBs, os especialistas  recomendam os emitidos por bancos médios, que costumam oferecer até 110% do CDI. As Letras de Crédito Agrícola (LCA) e as Letras de Crédito Imobiliário(LCI) valem a pena quando rendem a partir de 95% do CDI, já que seus rendimentos são isentos de Imposto de Renda.

Títulos Públicos atrelados á inflação (Tesouro Direto)

O rendimento oferecido pelos papéis públicos atrelados á inflação, chamados de Tesouro IPCA, com vencimento a partir de 2024, continua bem vantajoso: varia de 5% a 5,5% ao ano mais a variação do IPCA. Mas é preciso estar disposto e preparado para manter os títulos até o vencimento. A rentabilidade pode oscilar no curto prazo se houver mudanças nas taxas de juros, mas quem mantiver as aplicações até o final, receberá o rendimento negociado no ato da compra.

Fundos e Títulos de Renda Fixa

Os títulos de dívida de empresas e os fundos que investem nesses papéis são alternativas de maior retorno na renda fixa num momento de queda de juros. As debêntures de infraestrutura, por exemplo, isentas de imposto de renda, estão entre os títulos mais indicados. Mas o risco é alto se as empresas que emitiram os papéis tiverem problemas financeiros, levando o investidor a perder grande parte ou tudo que aplicou.

Fundos Multimercados

Em tese, são os fundos que melhor conseguem enfrentar os momentos de volatilidade – como a que se espera m 2018, em função das eleições presidenciais – já que podem investir em diferentes ativos de títulos públicos, privados e moedas, aqui e no exterior, Mas para ganhar dinheiro, é preciso escolher bons gestores, capazes de antecipar tendências.

Fundos Imobiliários

Com a recuperação da economia, a expectativa é que os preços dos imóveis venham a subir, ainda que lentamente. Por isso, os analista aconselham montar uma carteira de títulos imobiliários para diluir os riscos caso algum deles tiver problemas, valendo ressaltar que o rendimento desses fundos é isento de imposto de renda. Comprar para alugar não é vantajoso,  uma vez que o rendimento médio gerado pela locação de um imóvel residencial está em 4% ao ano, menor patamar desde 2008.

Ações e Fundos de Ações

A maioria dos analistas acredita que a bolsa continuará subindo em 2018, devido á queda dos juros e á retomada da economia, mas é preciso investir com critério, escolhendo os papéis que sejam considerados os mais promissores,  e recorrendo sempre a gestores especializados.

Em resumo, embora os números da economia evidenciem que a fase da recessão ficou para trás e que o pior já passou, as incertezas quanto ao cenário politico recomendam prudência e cautela na administração de seus investimentos.

 

 

 

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A crise no Brasil pela “The Economist”

Nesta quinta-feira(25), o Brasil voltou a ganhar destaque – e desta vez como destaque negativo – nas páginas na revista britânica “The Economist”, uma das mais prestigiosas e influentes publicações de economia no mundo.

Desde 2009, o Brasil vem aparecendo com regularidade nas reportagens  de capa da revista, conforme se vê a seguir:

” O Brasil decola” (2009)

O Brasil Decola

Em 2009, a revista publicou matéria de capa, ilustrada pela imagem do Cristo Redentor decolando como um foguete, o que retratava o clima de euforia em que vivia o país, com a popularidade de Lula nas alturas, elevadas taxas de crescimento econômico, o que se traduziu na eleição de Dilma Roussef para sucedê-lo na presidência da República.

” O Brasil estragou tudo”? (2013)

O Brasil estragou tudo

Embora o impeachment de Dilma ainda não fosse cogitado, a revista britânica já vislumbrava sinais de perigo para a economia do Brasil, as quais redundaram nas violentas manifestações de rua em junho de 2013, deflagradas a partir do aumento dos preços dos transporte público.

The Economist” lembrava que o país atravessou incólume a crise de 2008 e conseguiu crescer 7,5% em 2010, mas que havia estacionado em uma expansão anual do PIB em torno de 2%.

” O atoleiro” (2015)

O Brasil no atoleiro

Na ocasião, a revista afirmava que os problemas econômicos do Brasil eram bem maiores do que o governo podia admitir ou do que os investidores poderiam antever.

“A estagnação adormecida na qual o país mergulhou está se transformando em uma completa – e talvez prolongada – recessão, uma vez que a inflação pressiona os salários e a capacidade de pagamento das dívidas do consumidor” – advertia a publicação

“Pedindo socorro” (2016)

Pedindo socorro

Naquela edição, a revista afirmava que a presidente Dilma Roussef tinha responsabilidade pelo quadro econômico, mas ressaltava que aqueles que trabalhavam para tirá-la do cargo eram, “em muitos aspectos,  – citando Eduardo Cunha como exemplo – ainda piores. Por entender que o impeachment não resolveria o problema, a revista, já naquela época, defendia a realização de eleições gerais.

“Uma nova ascensão” (2017)

Sem dar destaque apenas ao Brasil, The Economist, em março deste ano, relacionava os países em ascensão – Estados Unidos, União Européia, China, Reino Unido, Japão, Índia e…… o Brasil.

A reportagem destacava que há muito tempo a economia global não crescia de forma tão sincronizada. Na ocasião, o Brasil parecia estar seguindo o rumo certo na direção da recuperação da economia.

” Presidente balança” (2017)

O presidente balança

Abordando a crise atual, deflagrada pela delação da JBS, a revista destaca que Temer é o segundo presidente, em um espaço de um ano, que está lutando para permanecer no cargo, em meio a acusações de mal feitos e queda nas pesquisas de opinião.

Segundo a avaliação da revista, as acusações contra Temer são muito mais graves, se comparadas com as que pesavam contra Dilma, mas suas chances de permanecer na presidência podem ser maiores – afirma a reportagem do ultimo dia 25.

A revista destaca que Temer também desperta menos paixão do que a Dilma entre os eleitores da classe média e essas pessoas estariam mais relutantes em aderir aos ataques contra ele e suas reformas econômicas.

“The Economist” defende as reformas trabalhista e previdenciária – em especial esta última – por entender que tais medidas vão permitir cortes mais agressivos nas taxas de juros e o crescimento no nível de emprego.

A reportagem dá destaque á gravidade das acusações contra Temer e ao desembarque de dois partidos medianos – PPS e PSB – da base de apoio ao governo, embora ministros indicados por essas siglas ainda continuem em seus cargos, á exceção de Roberto Freire, que deixou a pasta da Cultura.

” O destino de Temer – ressalta a revista – está nas mãos das cortes judiciais, de seus aliados no Congresso e da opinião pública, sendo determinante o posicionamento do PSDB, principal base de apoio do governo, que ainda não se definiu a respeito de sua permanência ou não na base aliada, preferindo aguardar até que tenha maior clareza sobre os desdobramentos da crise.

No entendimento dos autores da reportagem, o foro em que o presidente corre mais riscos de perder o cargo é o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que julga ação que pode cassar a chapa Dilma/Temer na eleição de 2014. Até a última semana, muitos duvidavam disso, mas juízes mais experientes politicamente tendem a acreditar que a permanência de Temer no cargo está ameaçada.

Em meio ás análises sobre o pós-Temer, “The Economist” comenta sobre as opções em uma eventual saída via eleições parlamentares, destacando que pessoas do próprio legislativo, com habilidade politica para conduzir as reformas, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, por exemplo, já são investigados ou podem vir a ser em breve.

Outros possíveis candidatos seriam Carmen Lúcia, Presidente do Supremo Tribunal Federal, e Henrique Meireles, atual Ministro da Fazenda. Mas Carmen Lúcia nunca ocupou função politica e Meireles foi presidente do Conselho de Administração da JBS, justamente a autora das denúncias contra Temer.

Outro nome citado, Nelson Jobim, ex-ministro nos governos de Fernando Henrique, Lula e Dilma, e ex-ministro e presidente do STF, tem contra si o fato de ter sido membro da direção do BTG, cujo fundador, André Esteves, esteve preso recentemente, acusado de participação no esquema de irregularidades na Petrobrás, na operação Lava Jato.

A conclusão da revista é que Temer pode apelar da decisão do TSE – o que lhe garantiria mais algum tempo no cargo – mas se seus aliados lhe virarem as costas, a manobra pode se esfacelar.