A crise no Brasil pela “The Economist”

Nesta quinta-feira(25), o Brasil voltou a ganhar destaque – e desta vez como destaque negativo – nas páginas na revista britânica “The Economist”, uma das mais prestigiosas e influentes publicações de economia no mundo.

Desde 2009, o Brasil vem aparecendo com regularidade nas reportagens  de capa da revista, conforme se vê a seguir:

” O Brasil decola” (2009)

O Brasil Decola

Em 2009, a revista publicou matéria de capa, ilustrada pela imagem do Cristo Redentor decolando como um foguete, o que retratava o clima de euforia em que vivia o país, com a popularidade de Lula nas alturas, elevadas taxas de crescimento econômico, o que se traduziu na eleição de Dilma Roussef para sucedê-lo na presidência da República.

” O Brasil estragou tudo”? (2013)

O Brasil estragou tudo

Embora o impeachment de Dilma ainda não fosse cogitado, a revista britânica já vislumbrava sinais de perigo para a economia do Brasil, as quais redundaram nas violentas manifestações de rua em junho de 2013, deflagradas a partir do aumento dos preços dos transporte público.

The Economist” lembrava que o país atravessou incólume a crise de 2008 e conseguiu crescer 7,5% em 2010, mas que havia estacionado em uma expansão anual do PIB em torno de 2%.

” O atoleiro” (2015)

O Brasil no atoleiro

Na ocasião, a revista afirmava que os problemas econômicos do Brasil eram bem maiores do que o governo podia admitir ou do que os investidores poderiam antever.

“A estagnação adormecida na qual o país mergulhou está se transformando em uma completa – e talvez prolongada – recessão, uma vez que a inflação pressiona os salários e a capacidade de pagamento das dívidas do consumidor” – advertia a publicação

“Pedindo socorro” (2016)

Pedindo socorro

Naquela edição, a revista afirmava que a presidente Dilma Roussef tinha responsabilidade pelo quadro econômico, mas ressaltava que aqueles que trabalhavam para tirá-la do cargo eram, “em muitos aspectos,  – citando Eduardo Cunha como exemplo – ainda piores. Por entender que o impeachment não resolveria o problema, a revista, já naquela época, defendia a realização de eleições gerais.

“Uma nova ascensão” (2017)

Sem dar destaque apenas ao Brasil, The Economist, em março deste ano, relacionava os países em ascensão – Estados Unidos, União Européia, China, Reino Unido, Japão, Índia e…… o Brasil.

A reportagem destacava que há muito tempo a economia global não crescia de forma tão sincronizada. Na ocasião, o Brasil parecia estar seguindo o rumo certo na direção da recuperação da economia.

” Presidente balança” (2017)

O presidente balança

Abordando a crise atual, deflagrada pela delação da JBS, a revista destaca que Temer é o segundo presidente, em um espaço de um ano, que está lutando para permanecer no cargo, em meio a acusações de mal feitos e queda nas pesquisas de opinião.

Segundo a avaliação da revista, as acusações contra Temer são muito mais graves, se comparadas com as que pesavam contra Dilma, mas suas chances de permanecer na presidência podem ser maiores – afirma a reportagem do ultimo dia 25.

A revista destaca que Temer também desperta menos paixão do que a Dilma entre os eleitores da classe média e essas pessoas estariam mais relutantes em aderir aos ataques contra ele e suas reformas econômicas.

“The Economist” defende as reformas trabalhista e previdenciária – em especial esta última – por entender que tais medidas vão permitir cortes mais agressivos nas taxas de juros e o crescimento no nível de emprego.

A reportagem dá destaque á gravidade das acusações contra Temer e ao desembarque de dois partidos medianos – PPS e PSB – da base de apoio ao governo, embora ministros indicados por essas siglas ainda continuem em seus cargos, á exceção de Roberto Freire, que deixou a pasta da Cultura.

” O destino de Temer – ressalta a revista – está nas mãos das cortes judiciais, de seus aliados no Congresso e da opinião pública, sendo determinante o posicionamento do PSDB, principal base de apoio do governo, que ainda não se definiu a respeito de sua permanência ou não na base aliada, preferindo aguardar até que tenha maior clareza sobre os desdobramentos da crise.

No entendimento dos autores da reportagem, o foro em que o presidente corre mais riscos de perder o cargo é o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que julga ação que pode cassar a chapa Dilma/Temer na eleição de 2014. Até a última semana, muitos duvidavam disso, mas juízes mais experientes politicamente tendem a acreditar que a permanência de Temer no cargo está ameaçada.

Em meio ás análises sobre o pós-Temer, “The Economist” comenta sobre as opções em uma eventual saída via eleições parlamentares, destacando que pessoas do próprio legislativo, com habilidade politica para conduzir as reformas, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, por exemplo, já são investigados ou podem vir a ser em breve.

Outros possíveis candidatos seriam Carmen Lúcia, Presidente do Supremo Tribunal Federal, e Henrique Meireles, atual Ministro da Fazenda. Mas Carmen Lúcia nunca ocupou função politica e Meireles foi presidente do Conselho de Administração da JBS, justamente a autora das denúncias contra Temer.

Outro nome citado, Nelson Jobim, ex-ministro nos governos de Fernando Henrique, Lula e Dilma, e ex-ministro e presidente do STF, tem contra si o fato de ter sido membro da direção do BTG, cujo fundador, André Esteves, esteve preso recentemente, acusado de participação no esquema de irregularidades na Petrobrás, na operação Lava Jato.

A conclusão da revista é que Temer pode apelar da decisão do TSE – o que lhe garantiria mais algum tempo no cargo – mas se seus aliados lhe virarem as costas, a manobra pode se esfacelar.

 

Anúncios